Plantas tóxicas para cães e gatos: guia com fotos
Por Victor Costa, médico veterinário (CRMV MG 21605) · 15 de setembro de 2026 · 13 min
Um buquê de lírios, uma semente caída ou a folha de um vaso podem virar uma emergência. Este guia reúne fotos reais das plantas tóxicas para cães e gatos e explica o que fazer se houver contato.
Foto: UpstateNYer, Wikimedia Commons. CC BY-SA 3.0. Recorte da fotografia original; crédito e licença na seção do lírio.
Meu pet comeu uma planta: o que fazer agora?
Afaste o animal da planta e entre em contato com o veterinário. Não espere sintomas para pedir orientação. Se houver falta de ar, convulsão, desmaio ou sangramento importante, organize o transporte para a emergência enquanto alguém avisa a equipe.
Quando for seguro, fotografe a planta inteira, folhas, flores, frutos e etiqueta. Anote o horário, a parte que pode ter sido ingerida e a quantidade aproximada. Não atrase a saída para conseguir uma identificação perfeita. A ASPCA orienta reunir as evidências e buscar ajuda mesmo quando o animal ainda parece normal.
Não provoque vômito nem dê leite, óleo, sal, água oxigenada, carvão ativado ou medicamentos por conta própria. A escolha depende da substância e do estado do animal. O guia das primeiras horas de uma emergência ajuda a organizar o atendimento e o transporte.
Como encontrar a planta neste guia
As fotos abaixo são de exemplares reais, com identificação e créditos na legenda. A lista desenvolve o material enviado ao Criando Elos, separa as plantas que apareciam agrupadas e acrescenta o lírio-de-um-dia. É uma síntese de referências, sem relato de teste ou caso clínico próprio.
Uma fotografia ajuda, mas não confirma a identidade nem a segurança da planta. Nomes populares mudam entre regiões. O MSD Veterinary Manual destaca a importância do nome científico: plantas chamadas de “lírio”, por exemplo, podem ter toxicidades diferentes. Clique num nome para ir à foto e aos cuidados.
- Amarílis
- Íris
- Narciso
- Tulipa
- Azaleia
- Rododendro
- Babosa
- Bico-de-papagaio
- Chapéu-de-napoleão
- Cica ou palmeira-sagu
- Comigo-ninguém-pode
- Copo-de-leite
- Costela-de-adão
- Filodendro
- Orelha-de-elefante
- Dedaleira
- Espada-de-são-jorge
- Espirradeira ou oleandro
- Lírio verdadeiro
- Lírio-de-um-dia
- Maconha
- Mamona
- Maria-pretinha
- Olho-de-cabra ou jequiriti
- Pinhão-paraguaio ou pinhão-de-purga
- Macieira: atenção às sementes
- Pessegueiro: atenção ao caroço
- Tabaco
- Trombeteira
Fotos reais das plantas tóxicas e seus principais riscos
Os sinais descritos podem se sobrepor aos de outras doenças. Eles não servem para diagnosticar intoxicação em casa nem para calcular uma quantidade segura. Cada foto representa o exemplar indicado; cultivares e plantas jovens podem ter aparência diferente.
Amarílis
Hippeastrum spp.
Flores grandes em forma de trombeta. A ingestão pode causar vômitos, diarreia, dor abdominal e salivação; o bulbo merece atenção especial. A foto mostra Hippeastrum, frequentemente vendido como amarílis. Não deixe bulbos guardados ou recém-plantados ao alcance de um cão que cava. Referência.
Íris
Iris spp.
A flor da foto é uma íris barbada. Pode causar salivação, vômitos, diarreia e apatia. A maior concentração de substâncias tóxicas fica no rizoma, o caule espesso que cresce junto ou abaixo do solo. Ele não é uma raiz comum nem um petisco seguro. Referência.
Narciso
Narcissus spp.
Reconhecível pela estrutura central em forma de pequena trombeta. A ingestão provoca sinais digestivos, sobretudo quando envolve o bulbo. Quantidades maiores podem causar tremores, convulsões, pressão baixa e arritmias. Avise a equipe se o pet desenterrou a planta ou encontrou bulbos armazenados. Referência.
Tulipa
Tulipa spp.
As flores em taça aparecem em jardins e arranjos. Vômitos, diarreia, baba e desânimo são possíveis após ingestão. O bulbo concentra mais toxinas, mas isso não torna folhas e flores comestíveis. Restos do plantio também precisam ficar fora do alcance. Referência.
Azaleia
Rhododendron spp.
Azaleias pertencem ao gênero Rhododendron. Folhas e flores não devem ser ingeridas. Vômitos, diarreia e fraqueza podem acompanhar alterações cardíacas graves. Não espere o pet apresentar todos os sinais para buscar atendimento; a foto mostra um exemplar de Rhododendron simsii. Referência.
Rododendro
Rhododendron spp.
A foto mostra Rhododendron ponticum. Compartilha com as azaleias o risco das grayanotoxinas. Salivação, vômitos, fraqueza e colapso podem ocorrer. Uma pequena quantidade de folhas já pode ser preocupante; o tamanho do arbusto não indica a gravidade da exposição. Referência.
Babosa
Aloe vera
Folhas carnosas com bordas serrilhadas. O látex da folha contém substâncias que podem causar vômitos, diarreia e apatia. Não confunda esse material com o gel interno processado de alguns produtos. Ter uso cosmético não torna a folha inteira segura para o pet mastigar. Referência.
Bico-de-papagaio
Euphorbia pulcherrima
A parte vermelha vistosa é formada por brácteas, folhas modificadas ao redor das flores pequenas. A seiva irrita boca e estômago e pode provocar vômito. Em geral, a toxicidade é superestimada: não deve ser tratada como equivalente ao risco dos lírios para gatos. Referência.
Chapéu-de-napoleão
Cascabela thevetia
Também chamada Thevetia peruviana, tem flores amarelas em funil. Todas as partes são tóxicas se ingeridas, inclusive os frutos e suas sementes. Procure atendimento diante de ingestão suspeita. Não confunda com outras plantas que recebem o mesmo nome popular em sua região. Referência.
Cica ou palmeira-sagu
Cycas revoluta
Parece uma palmeira pequena, mas é uma cícada. A planta inteira é tóxica, com especial preocupação para as sementes. Pode causar vômitos, sangue nas fezes, sangramentos e lesão grave no fígado. Suspeita de ingestão é emergência mesmo se o animal ainda parece bem. Referência.
Comigo-ninguém-pode
Dieffenbachia spp.
As folhas largas costumam ter manchas claras. Mastigar a planta libera cristais de oxalato que causam dor e irritação na boca, salivação, vômitos e dificuldade para engolir. Não force a abertura da boca de um animal com dor. Dificuldade respiratória exige emergência. Referência.
Copo-de-leite
Zantedeschia aethiopica
A estrutura branca envolve uma espiga amarela. Seus cristais insolúveis de oxalato irritam a boca e podem causar baba, vômito e dificuldade para engolir. Apesar do nome inglês calla lily, não pertence ao gênero Lilium e tem um mecanismo de toxicidade diferente. Referência.
Costela-de-adão
Monstera deliciosa
Folhas adultas apresentam recortes e aberturas. A mastigação pode causar ardência na boca, salivação, vômitos e dificuldade para engolir por causa dos oxalatos insolúveis. Uma folha jovem pode ter aparência diferente da adulta; a ausência de furos não confirma que seja outra espécie. Referência.
Filodendro
Philodendron spp.
O gênero inclui plantas de formatos variados; a foto mostra o filodendro de folhas em coração. Oxalatos insolúveis podem provocar dor, inchaço e salivação após mastigação. Não identifique todo filodendro apenas pelo formato desta folha. Guarde o nome científico informado na compra. Referência.
Orelha-de-elefante
Colocasia esculenta
Nome popular usado para Colocasia, Alocasia e outras plantas. A foto mostra Colocasia esculenta, com folhas grandes. A planta crua contém oxalatos insolúveis que podem provocar dor e inchaço na boca, baba e dificuldade para engolir. Confirme qual espécie existe no seu vaso. Referência.
Dedaleira
Digitalis purpurea
Flores pendentes se alinham numa haste alta. Seus glicosídeos cardíacos podem causar vômitos, diarreia, fraqueza e arritmias potencialmente fatais. É uma planta que exige atendimento urgente após ingestão suspeita. O uso de substâncias relacionadas em medicamentos não torna a planta segura. Referência.
Espada-de-são-jorge
Dracaena trifasciata
Também aparece como Sansevieria trifasciata. Tem folhas rígidas e alongadas, com padrões que variam entre cultivares. As saponinas estão associadas principalmente a náusea, vômitos e diarreia. Não é correto atribuir a ela automaticamente o mesmo mecanismo irritante da comigo-ninguém-pode. Referência.
Espirradeira ou oleandro
Nerium oleander
Arbusto com folhas estreitas e flores que podem ser rosas, brancas ou de outras cores. A ingestão pode afetar o coração e causar sinais digestivos e fraqueza. Folhas secas e restos de poda também oferecem risco. Não espere alterações visíveis no pulso para procurar atendimento. Referência.
Lírio verdadeiro
Lilium spp.
A foto mostra Lilium longiflorum. Em gatos, pequenas exposições a folhas, pétalas, pólen ou água do vaso podem causar lesão renal fatal. Procure emergência imediatamente, mesmo sem vômito ou apatia. Um buquê fora do alcance ainda pode deixar pólen e partes da planta acessíveis. Referência.
Lírio-de-um-dia
Hemerocallis spp.
Incluído como complemento ao lírio do material original. A foto mostra Hemerocallis fulva. Também pode causar insuficiência renal em gatos e exige atendimento imediato após exposição suspeita. Não use a cor da flor nem a duração da floração para decidir se um lírio é seguro. Referência.
Maconha
Cannabis sativa
O THC pode causar sonolência, descoordenação, alteração de comportamento, pressão baixa e, nos casos graves, convulsões ou coma. Produtos comestíveis e concentrados também precisam ser informados ao veterinário. Diga exatamente o que estava disponível; essa informação ajuda a equipe a escolher a conduta. Referência.
Mamona
Ricinus communis
Folhas grandes e recortadas acompanham frutos que guardam sementes. A ricina é especialmente preocupante nas sementes mastigadas. Pode haver vômitos, dor abdominal, diarreia com sangue e comprometimento grave. Retire o acesso também a sementes soltas; não espere o aparecimento dos sintomas. Referência.
Maria-pretinha
Solanum nigrum e espécies relacionadas
O nome pode abranger espécies próximas, como Solanum americanum. A foto mostra Solanum nigrum. Plantas desse grupo podem causar salivação, distúrbios digestivos, fraqueza e alterações neurológicas. Não ofereça folhas ou frutos ao pet nem conclua que uma frutinha é segura apenas pela cor. Referência.
Olho-de-cabra ou jequiriti
Abrus precatorius
A foto mostra vagens abertas e sementes vermelhas com região escura. O nome olho-de-cabra é ambíguo; aqui a referência é Abrus precatorius. Sementes mastigadas ou danificadas podem liberar abrina e causar vômitos e diarreia intensos, até com sangue. Inclua sementes usadas em artesanato na investigação. Referência.
Pinhão-paraguaio ou pinhão-de-purga
Jatropha curcas
A foto mostra um fruto de Jatropha curcas; nomes populares variam. O CIT/RS inclui a espécie entre plantas com sementes tóxicas capazes de provocar intoxicação digestiva intensa. É uma referência toxicológica geral, não uma dose segura para cães ou gatos. Não permita ingestão de sementes ou uso caseiro como purgante. Referência.
Macieira: atenção às sementes
Malus domestica
A foto mostra uma macieira com frutos. O alerta se refere às sementes e a outras partes da planta, não significa que a polpa da maçã tenha o mesmo risco. Sementes mastigadas liberam compostos cianogênicos; retire sementes e miolo antes de qualquer oferta orientada de fruta. Referência.
Pessegueiro: atenção ao caroço
Prunus persica
O caroço protege uma semente com compostos cianogênicos. Mastigá-lo pode expor essa semente; engoli-lo também traz risco mecânico de engasgo ou obstrução. Folhas e caules não devem ser ingeridos. Informe ao veterinário se o caroço foi quebrado, engolido inteiro ou está desaparecido. Referência.
Tabaco
Nicotiana tabacum
A foto mostra a planta; cigarros, bitucas e outros produtos com nicotina também importam. A ingestão pode provocar sinais rápidos, como vômitos, agitação, tremores e alterações cardíacas ou respiratórias. Líquidos de vape e sachês de nicotina podem intoxicar mesmo sem conter folhas de tabaco. Referência.
Trombeteira
Brugmansia spp.
Flores grandes e pendentes lembram trombetas. As partes da planta são tóxicas e contêm alcaloides como atropina e escopolamina. A identificação é importante porque Datura também recebe nomes parecidos. Suspeita de ingestão exige atendimento; não prepare chás nem use a planta como remédio. Referência.
Por que lírios em gatos e cica merecem atenção imediata
Os riscos não são iguais. Lilium e Hemerocallis podem causar insuficiência renal em gatos, enquanto a cica pode lesar gravemente o fígado. Já plantas como copo-de-leite e filodendro costumam provocar irritação oral por cristais insolúveis. Não use a intensidade da baba ou do vômito para comparar a gravidade entre elas.
A FDA alerta que até pólen e água de um vaso com lírios podem intoxicar gatos. Por isso, uma casa com gatos deve ficar sem esses lírios, em vez de depender apenas de uma prateleira alta. Se o gato encostou no buquê e pode ter se lambido depois, conte isso ao veterinário mesmo sem ter visto uma mordida.
O Pet Poison Helpline também alerta para partes secas e água em contato com oleandro. Recolher folhas e podas é parte da prevenção. Não há um prazo universal de “observar em casa”: o começo dos sinais depende da planta, da quantidade e do animal.
Como reduzir o risco em casa
Faça um inventário dos vasos, do jardim e dos buquês que chegam. Guarde uma fotografia com a etiqueta de cada planta. Quando não souber a espécie, mantenha o pet sem acesso até obter identificação confiável. Aplicativos podem sugerir nomes, mas não devem decidir sozinhos se uma exposição é perigosa.
Um exemplo simples: alguém traz um buquê de presente. Confira as espécies antes de colocar na sala, retire embalagens e impeça acesso à água do vaso. Se houver gato e o arranjo tiver Lilium ou Hemerocallis, mantenha-o fora da casa. Combine essa regra também com quem visita ou cuida do animal.
Deixe o contato de emergência e a caixa de transporte acessíveis. O kit de primeiros socorros para pets reúne materiais de apoio; ele não transforma carvão, seringa ou remédio caseiro em tratamento de intoxicação. A lista interativa no fim do artigo serve para conferir a prevenção com calma.
Perguntas frequentes sobre plantas tóxicas para pets
Qual planta pode matar um gato mesmo em pequena quantidade?
Lírios dos gêneros Lilium e Hemerocallis são exemplos de alto risco. Uma exposição suspeita já justifica atendimento imediato. Não espere confirmar a quantidade ou aparecerem alterações na urina.
Espada-de-são-jorge é tóxica para cachorro e gato?
Sim. A ASPCA associa a planta a náusea, vômitos e diarreia. Sua toxicidade difere da irritação por cristais de oxalato da comigo-ninguém-pode. Informe a espécie correta ao pedir orientação.
Meu cachorro comeu planta, mas está normal. Posso esperar?
Entre em contato com o veterinário agora. Algumas intoxicações demoram a mostrar sinais. A orientação depende da planta e da exposição, não apenas da aparência do cachorro naquele momento.
Dar leite ou provocar vômito ajuda?
Não faça isso por conta própria. Não existe um remédio caseiro universal para plantas tóxicas. A equipe deve avaliar o que foi ingerido e se algum procedimento é indicado.
A foto ou o nome popular bastam para identificar?
Não. Use fotos de várias partes da planta e, se existir, a etiqueta com nome científico. “Olho-de-cabra”, “orelha-de-elefante” e “lírio” são nomes que podem causar confusão.
Uma planta fora desta lista é segura?
Não necessariamente. A lista cobre as plantas do material de referência e um complemento sobre lírios, sem pretender esgotar todas as espécies tóxicas. Confirme cada planta antes de permitir acesso.
Use o checklist abaixo para organizar a casa e salve o PDF para compartilhar com os cuidadores. Se a exposição já aconteceu, a próxima etapa é falar com o veterinário.
Como está a segurança das plantas da sua casa?
Use em um momento tranquilo, para prevenir acidentes. Não espere preencher esta lista se o pet teve contato com uma planta suspeita.
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Este artigo é educativo e não substitui a consulta com o médico veterinário. Em emergência, procure atendimento imediato.